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Sobre a Liberdade

Atualizado: 5 de set. de 2020

O que significa ser livre? Será que a liberdade é algo inerente à condição humana? Será que sou condenado a ser livre, como disse Sartre?



Curioso pensar que esse tema reserva profundo interesse entre as pessoas, e aparece com certa recorrência no consultório. Mas, será que esse tema desperta interesse pelo fato de estarmos cada vez mais livres ou cada vez menos livres?


No livro "Os dois nascimentos do homem", que está na base dessa reflexão, temos uma ideia inquietante sobre a liberdade.


A Renúncia.


Você já se questionou se você é livre, não para escolher, mas para renunciar? Pois bem, essa é a ideia central da reflexão.


“Quem não está livre para renunciar não consegue escolher, fica encalacrado nessa condição contraditória de poder escolher e de ser obrigado a escolher, porque escolher é, ao mesmo tempo, um poder e uma limitação. Se a pessoa não apreender a limitação, se não tiver liberdade de renunciar, não poderá escolher e se sentirá torturada. Talvez o mais importante a ser pensado sobre a escolha seja isto: o fundamento do poder escolher não é a posse, é a renúncia. É que, em primeiro lugar, poder escolher significa estar livre para renunciar. Escolher uma coisa é abrir mão de uma série de outras”

Essa reflexão cai bem, principalmente nas festas de fim de ano. Parece uma tortura para muita gente o fato de não ser livre para renunciar. Em ter que ser obrigado a dar aquele sorrisinho amarelo para aquele familiar insuportável que você acaba suportando por se achar obrigado.


Por que?


Escutamos constantemente: A minha liberdade vai até onde começa a do outro.

Será? Quem disse?


O que limita a minha liberdade não é a liberdade do outro, pois quando elas se encontram a minha liberdade se expande no compartilhar das nossas liberdades. Nossa liberdade é mais ampla e mais profunda que aquela que posso ter sozinho.


Liberdade não está num querer viver sem compromissos, sem a perspectiva da temporalidade, nem na realização de desejos insaciáveis de poder e dominação, isso tem levado o homem a se sentir cada vez mais sozinho, temeroso, desconfiado e desamparado.


Portanto, ouvir a liberdade dos outros é poder apropriar-se do modo de ser livre com os outros, é poder compartilhar uma liberdade maior! Se no relacionamento com os outros você tem a sensação de aprisionamento, você pode estar sendo solicitado a escolher e renunciar.


Cyntia Regina de Oliveira Yamauchi

Psicóloga - CRP: 06/131198