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Plante seus sonhos em terra firme

Atualizado: 5 de set. de 2020

Muitas vezes escutamos: "Você colhe o que planta" ou "Plante coisas boas para colher coisas boas". Mas, será que essa máxima pode ser levada tão ao pé da letra assim? Será que com esses pensamentos não estamos fugindo da realidade cotidiana e romantizando a vida?



Desconfie de receitas prontas que tem como pretensão leva-lo rumo à felicidade, pois viver mostra-se um pouco mais complexo do que isso. Sonhos são como pedras preciosas. Para que a colheita seja farta precisamos sedimentar nossos sonhos em terra firme, adubada com Sentido. Não plante suas esperanças em um terreno qualquer, terreno baldio, onde qualquer um pode jogar o que quiser. Pois, você pode estar fadado a colher coisas sem Sentido.


Esse tema me fez lembrar uma crônica, de Rubem Alves, que diz mais ou menos assim:


"Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferencendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as libere e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia"

Isso nos remete a seguinte questão: Você tem terra para plantar os seus sonhos?


No relacionamento com os outros só você sai no sol ardente para plantar ou vocês saem em comunhão, em conjunto, e assim, como no post anterior sobre liberdade, experimentam uma liberdade maior, pois quando as liberdades se encontram elas se ampliam.


Ou o seu terreno, que pode não ser propriedade sua, está cheio de pragas e no fim do plantio você acaba colhendo frustração, todo o seu esforço foi para a lata do lixo. Por isso, é importante saber em que terreno colocar suas preciosas sementes.


Ainda citando Rubem Alves:

“O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando. Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade. Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu”

Agora, pensado sobre essa perspectiva podemos ampliar nossa visão, fazer o balanço geral de fim de ano e nos perguntar: Será que estou semeando meus sonhos em um terreno com terra seca? Onde nada floresce? Ou o meu sonho está ligado de forma intrínseca com a terra? E dela nasce algo maior, com raízes profundas e que não é qualquer ventinho que pode derrubar?


As vezes ficamos o mês, o ano e até uma vida inteira semeando nossas preciosas sementes em um terreno que nada tem de bom para oferecer, pois o sonho é só seu. Os relacionamentos são uma via de mão dupla. Não adianta só você sedimentar as preciosidades da vida, a coesão nos relacionamentos, a união familiar, pois se o terreno é seco torna-se impossível criar raízes profundas.


Não existe muito segredo para isso. Para colher seu sonho é preciso plantar o que a terra gosta. Quando plantamos o que a terra gosta aquilo vai adiante, vigora e floresce, dá frutos. A terra faz amor com o sonho e ali floresce algo muito precioso: A Liberdade! Liberdade sua e dos outros.


Cyntia Regina de Oliveira Yamauchi

Psicóloga - CRP: 06/131198